OLHE QUE NÃO

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DEVE SER ESTA A ESQUERDA LIVRE, NÃO?

Publicado por qmiguel em 17/05/2012

Posto de comando do novo “movimento de libertação”

Militantes da “Esquerda Nacional” aguardando libertação, Técnica Mista, 2012.

Depois deste momento de variedades vou regressar à minha cela, enquanto não tiver tempo para ir beber café à Praça das Flores ou oportunidade para entregar em tributo um mandato de deputado europeu ao Cohn-Bendit tem de ser assim. Paciência…

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“QUAL O TEU NOME?” – “EU SOU AQUELE QUE NEGA”

Publicado por qmiguel em 20/04/2012

Os mordomos da burguesia (Rio para o caso) decidiram mais uma vez destruir os frutos da acção popular. Abril vai longe  e a “democracia” dos senhores do mundo é sinónimo de autoridade e desrespeito total pela vida das classes populares. Apadrinhado pela traição à pátria que representou a aprovação do MES pelos partidos do regime, golpe brutal na democracia e auto-determinação dos povos, Rui Rio (mas não se enganem podia ser outro) presenteou os seus conterrâneos com mais uma medida de classe, no interesse da cada vez mais ditatorial democracia burguesa. Para os mais incautos uma medida de classe é privatizar a água que é de todos em prol do lucro de quem acumulou o capital necessário para explorar os outros por todos os meios que encontra. Uma medida de classe é também fechar um Hospital que primava pelo seu serviço à população da maior cidade do pais para o entregar a especuladores e parasitas. Todas estas medidas são medidas de classe e são também a negação da democracia. No entanto todos os dias os escribas deste regime, acossados pelo medo e pelo poder crescente de uma burguesia que num triplo movimento agudiza a exploração dos activos, lança os jovens para a miséria e indignidade, e tira anos de vida àqueles que já não consegue explorar directamente, negam diariamente pelos meios que monopolizam, a existência de classes,  e promulgam por santo decreto mediático abstracto  a existência dessa mesma democracia que os agentes do capital tratam de negar em cada uma das suas singelas acções.

Senão vejamos:

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A GREVE É GERAL

Publicado por qmiguel em 18/03/2012

Existe um momento em que temos de tomar o nosso futuro nas nossas mãos. Não “vamos” à greve, construímo-la pela nossa luta, no nosso local de trabalho.  A greve é geral e são os trabalhadores como eu e tu que a fazem:

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ENTREVISTA A EFTICHIOS BITSAKIS – SOBRE A DIALÉCTICA DA NATUREZA

Publicado por qmiguel em 10/03/2012

Eftichios Bitsakis é professor de física teórica na Universidade de Atenas e ensina também filosofia na Universidade de Ioannina. É autor de várias obras científicas entre as quais: Física e Materialismo Dialéctico; Física e Materialismo; O novo Realismo Científico. Deixamos aqui uma curta entrevista em torno da dialéctica da natureza.

 P: O que significa para si a expressão “Dialéctica da Natureza”?

E.B.: Essa expressão implica desde logo uma certa concepção da natureza, cujas origens remontam às intuições dos filósofos Pré-Socráticos, e que foi elaborada por Hegel no quadro de um sistema idealista e posteriormente por Engels como parte constituinte da visão materialista e dialéctica do mundo. Segundo esta concepção a natureza é uma realidade objectiva que ainda para mais é “de si e por si” (o princípio de asseidade é fundamental para o materialismo). A matéria é ontológicamente una e, ao mesmo tempo, diversa nas suas formas: unidade na diversidade. A natureza constitui assim uma totalidade héterogénea e em devir. O movimento é um atributo imanente e inalienável da matéria e realiza-se graças às interacções físicas; graças ao jogo de oposições e de contradições que caracterizam as formas materiais (a oposição e a contradição não são categorias meramente epistémicas mas também ontológicas: referem-se ao ser e não apenas ao nosso conhecimento). Desta forma a natureza caracteriza-se por uma hierarquia de estruturas e de níveis que aparecem ao longo do tempo e que desaparecem tomando outras formas. A criação e a destruição das formas da matéria obedecem a um certo número de determinações. A mudança qualitativa realiza-se por meio de “saltos”, isto é, rupturas da continuidade, como negação da forma inicial e negação da negação. A cosmogénese dá-se no espaço e no tempo, que são formas de existência da matéria. Isto para expôr resumidamente alguns dos aspectos de uma concepção dialética da natureza.

P: Será que é possível falar da “dialéctica da natureza” em geral, ou será que devemos entender esta expressão somente no plural? Será que ainda podemos falar de “leis” da dialéctica naquilo que à física ou a cosmologia diz respeito?

E.B.: Existe hoje uma tendência, nalguns meios marxistas, para conceber apenas dialéticas “locais” ou “regionais” e rejeitar “A” dialética da natureza. As ciências da natureza de hoje surgem de relações dialéticas e por meio destas é possível elaborar dialéticas regionais. Vejamos:

1) A matéria apresenta-se hoje sob formas extremamente heterogéneas. No entanto existe uma unidade ontológica dessas formas, que se manifesta através de leis que são comuns para todas as formas  e níveis. Também ao nível microfísico existe uma transformação de diferentes partículas elementares em formas diferentes e opostas.

2) A matéria tem uma história. As formas actuais caracterizam um certo estado de evolução do cosmos. Para além disso, é quase certo que ainda hoje exista criação de matéria, que não é mais que a emergência de particulas do “fundo” (do nível sub-quântico).

3) O vazio de Demócrito não era mais que uma mera abstacção. Hoje em dia, considera-se o “vazio” como um oceano de formas da matéria que passam, mediante certas condições, do potencial ao actual.

4) Segundo algumas teorias relativistas, existe uma unidade entre espaço, tempo e matéria. Neste caso, é a matéria, e o seu movimento, que determina a forma do espaço e o fluxo do tempo.

5) A cosmogénese não diz apenas respeito à historicidade das formas da matéria do nível microfísico e às formas do macrocosmo. Existe uma história da formação da terra, da aparição e evolução da vida, da antropogénese e da noogénese.

6) As formas de existência e a sua transformação obedecem a um certo número de tipos de determinação: mecânica, dinâmica, estatística quântica e estatística clássica.

Penso que por meio do estudo concreto destas áreas é possível elaborar dialécticas regionais concretas.

Aceitemos que estas dialécticas regionais são elaboradas através de uma valorização filosófica das leis das ciências naturais. Elas podem assim ser legítimas do ponto de vista epistemológico. Agora, será que podemos falar de “leis” no que diz respeito à natureza considerada como um todo?

Sartre, por exemplo, achava que podiamos falar de dialéctica da história, mas não de dialética da natureza, uma vez que a natureza, segundo ele, não constitui uma totalidade. Hoje em dia está provado que a natureza constitui uma totalidade, que inclui  diferença, oposição e contradição. A escola Althusseriana assumiu uma posição reservada, pois para esta uma dialéctica da natureza poderia significar uma nova ontologia dogmática. Para Altusser a filosofia não tem história, as suas teses implicam uma espécie de eternidade. No entanto, as diferentes teses filosóficas não surgem arbitrariamente, mas antes em relação com a prática social e com as descobertas das ciência. Desta forma e apesar da existência de um certo número de questões eternas, as questões que a filosofia levanta têm uma história própria e o seu conteúdo altera-se com o curso do tempo, de tal forma que as aporias filosóficas vão sendo pouco a pouco esclarecidas. A filosofia não consiste num mero elaborar de teses, ela é o reflexo de uma concepção do mundo, e esta concepção nunca é arbitrária.

 Como é que confluem então a ciência e a filosofia? O desenvolvimento das ciências dá-se por meio de um duplo movimento: especialização e generalização. Os conceitos científicos aproximam-se das categorias filosóficas. Não é por acaso que os mesmos termos (matéria, espaço, tempo, interacção, causalidade, etc…) são utilizados tanto pelos cientistas como pelos filósofos. Estas palavras, a que no domínio das ciências poderiamos chamar conceitos quase filosóficos, exercem uma mediação entre as ciências e a filosofia. Assim as categorias e as teses da filosofia não são vazias e anti-históricas, mas plenas de conteúdo concreto. Consequentemente as “leis” da dialéctica da natureza não são leis em sentido estrito, mas proposições correctas, com sentido metafísico, que se acordam com as ciências. A dialéctica da natureza não é uma ontologia axiomática, mas uma concepção da natureza que se elabora através da generalização e superação dos conhecimentos das ciências da natureza.

P: A dialéctica da natureza foi desvalorizada pelo uso dogmático feito à época de Jdanov e Estaline. Será que podemos distinguir a dialéctica da natureza do uso dogmático que dela foi feito e relacioná-la com a evolução da ciência contemporânea?

E.B.: A dogmatização da dialéctica da natureza e em geral da filosofia marxista, pode ser explicada pelo desvio global da União Soviética. No “Socialismo de Estado” a dialéctica, por natureza crítica e revolucionária, adquiriu uma forma simplificada e apologética. Hoje, as ciências contemporâneas abrem novas prespectivas para uma dialética da natureza já livre do dogmatismo. Engels dizia que à medida em que se dão grandes revoluções científicas, o materialismo dialético (e a dialética da natureza em particular) deve mudar de forma. Ora não se trata aqui de mudar de forma. As categorias dialécticas e mesmo todo o edifício da dialéctica da natureza devem ser novamente elaboradas, dando valor filosófico ao material concreto das ciências da natureza. Como diria Hegel: a filosofia é hostil ao abstracto e deve levar sempre ao concreto. O último capítulo do meu livro trata das novas prespectivas da dialéctica da natureza.

P: Existe o perigo de uma nova ontologização da dialéctica?

E.B.: As palavras não nos devem fazer medo. Uma teoria do ser, ou melhor, uma ontologia anti-dogmática, é hoje possível. Esta teoria do ser refere-se ao ser por meio do nosso conhecimento deste. É evidente que ela fala do ser por meio do nosso conhecimento da natureza. Uma das condições para evitar desvios indesejáveis é pensar a dialéctica que se encontra no materialismo.

P: Quais são então as descobertas ciêntíficas contemporâneas que podem ser interpretadas a partir de categorias dialécticas?

E.B.: As ciências “filosóficas” por excelência são a física, a astrofísica, a cosmologia, a biologia e a psicologia. Também a matemática se pode ligar à dialéctica, ainda que de uma forma um tanto quanto indirecta. Interpretar dialécticamente não significa procurar aquilo que se deseja, nem ter concepções de base preestabelecidas, mas sim interpretar o material científico e compreender as relações dialécticas que aí se encontram implicadas, e, se quisermos, num movimento ao contrário, “interpretar” a ciência. A filosofia não pode exercer uma função normativa em relação às ciências. A sua função deve ser epistémológica: análise, critérios, compreensão das relações e tendências em questão, assinalar os objectivos e os métodos.

P: Existe uma tendência para “recitar” a filosofia de Marx e de Lénine, alguns guardando o materialismo e rejeitando a dialéctica, outros procedendo em sentido inverso… Na sua opinião o que é que se perde quando se perde a referência ao materialismo dialéctico?

E.B.: Como disse ainda há pouco: pensar a dialéctica que está no materialismo. Marx era claro no que respeita à unidade indissolúvel da dialéctica e do materialismo. Engels também. Quando a Lénine, apesar de existirem diferênças no que diz respeito aos problemas e ao estilo, ele continua e desenvolve as concepções de Marx e Engels. Há uma unidade imanente destes três autores clássicos da filosofia marxista. O materialismo sem a dialéctica é um materialismo vulgar, a dialéctica sem o materialismo é uma dialéctica oca, e em ultima análise impossível.

 

(Entrevista publicada originalmente na revista Etincelles nº8 em 2003, traduzida do francês) 

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A HISTÓRIA E A DIALÉCTICA

Publicado por qmiguel em 01/03/2012

«A história pode ser examinada sob dois aspectos. Podemos dividi-la em história da natureza e história dos homens. No entanto, não podemos separar estes dois aspectos; enquanto existirem homens a sua história e a história da natureza condicionar-se-ão reciprocamente.» Marx e Engels, Ideologia Alemã-passagem rasurada

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VAMOS LÁ EXPLICAR AO MÁRIO CRESPO COMO SE ELE FOSSE MUITO BURRO

Publicado por qmiguel em 17/01/2012

 

 

Exploração:

Um trabalhador x vamos dizer Eu trabalha 8 horas por dia. Consigo trabalham mais 3. Produzem aquilo que se traduz a jusante em 2500 euros\dia. Ganham cada um 500 euros por mês.De frisar que trabalhamos o resto do mês e produzimos o mesmo todos os dias.  No final do mês vem um senhor e fica com o resto.

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A PRODUTIVIDADE, ORA AÍ ESTÁ…

Publicado por qmiguel em 17/01/2012

Aí está a “prenda no sapatinho” do capital. Como se nos tempos que correm fosse coisa que rareasse. A musica acaba e as tombam as mascaras: um trabalhador deve dispor do mínimo poder possível sobre a sua vida, não servisse a sua existência apenas para que lhe seja sugado o fruto do seu trabalho.

Férias é coisa para quem dispõe de capital, para os proprietários, esses sim poderão ser livres, cada vez mais livre de sugar o trabalho alheio. Uma jorna organizada onde  procuramos encaixar, entre as fatigantes horas de exploração, um tempinho para estarmos com os nossos é coisa  que não deve depender de quem trabalha para que outro amealhe.  Afinal só precisamos de descansar para “recuperar física e psicologicamente” para que amanhã, ou dentro de 5 minutos, a exploração possa continuar.

Pois sim terão por certo todos os direitos formais, até o de dizer que não, mas nunca em conjunto digamos que de uma forma mais “dinâmica” através de “estruturas para o efeito”, até porque o direito ao seu posto de trabalho passa a estar dependente do mero e unilateral apetite do patrão, que terá apenas que formalmente explicar de que forma alguém é inadaptado, isto quando não lhe apetecer simplesmente extinguir o posto de trabalho em questão (até porque já pode haver outro de “conteúdo funcional idêntico”), nada que nos preocupe pois haverá sempre um “critério relevante”. O “critério relevante”, “estruturas representativas”, “dinamização”, são as novas denominações da mais pura repressão social.  Estamos todos às ordens e a lei é conforme…

Total liberdade, mas liberdade para despedir, para reprimir, para explorar. Nenhuma liberdade para quem produz. Em nome de uma crise para a qual o sistema capitalista não oferece nenhuma possibilidade de superação.

Hoje mais que ontem, uma barricada só tem dois lados.

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DO “PAGAMENTO” DA “DÍVIDA” (II)

Publicado por qmiguel em 11/12/2011

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CONSTRUIR LUTANDO

Publicado por qmiguel em 01/11/2011

A destruição dos  movimentos e das organizações comunistas, a sua respectiva descaracterização, é algo comum na história europeia recente. Mais complicado será certamente reorganizar, re-fazer, construir o que foi liquidado. É esta a tarefa actual de muitos comunistas em muitos países e organizações por essa europa fora. Deixo-vos aqui aquilo que creio ser um caso único de uma  corajosa “reconstrução” de uma organização. Depois do eurocomunismo, da dependência do PCE e daquilo que os próprios caracterizaram como “o caos”, as juventudes comunistas espanholas conseguiram reorientar a sua participação tornando-se hoje numa importante organização de classe, numa escola política e numa vanguarda concreta que está presente nas mais importantes lutas que decorrem no nosso país vizinho. A verdade é que nos últimas décadas, a UJCE passou da quase-inexistência a um actor político concreto da luta de classe. A adopção do marxismo-leninismo como base ideológica(1993), do princípio de unidade na acção (1999) e do centralismo democrático (2003) não são certamente alheias a este “re-nascimento”. Este percurso singular merece a nossa atenção e deve ser objecto de uma profunda reflexão.

Aqui o documentário da rica história da organização, que se confunde com a história do nosso país vizinho:

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DO “PAGAMENTO” DA “DÍVIDA”

Publicado por qmiguel em 29/10/2011

 

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OS BÁRBAROS PERDERAM A VERGONHA

Publicado por qmiguel em 23/10/2011

Vivemos num contexto de agravamento das agressões imperialistas e do aprofundamento da militarização e destruição capitalista. O povo Líbio sofre hoje desse mesmo mal, amanhã outros se seguirão sobretudo no continente africano. A promessa de mudança que a eleição de Obama trouxe ao coração dos mais desatentos desvaneceu-se em pouco tempo, e este lidera mesmo uma intensificação brutal do domínio imperial e da proliferação do carácter bélico do mesmo. Nada disto é novo.

O meu ponto aqui prende-se com a forma e com a relação das acções militares bárbaras com os comuns dos mortais. Estas são agora mediadas por uma vanguarda de jornalistas e de meios de comunicação ao serviço dos mais pútridos interesses. De tal forma que o que ontem seria interdito hoje pode ser claramente dito à boca cheia. O jornal Libération revelou a já famosa “proposta” do Conselho Nacional de Transição ao estado francês, na qual em troca do apoio incondicional e permanente deste último ser-lhe-à oferecido nada mais do que o controlo de 35% da produção petrolífera do país. O que há alguns anos as fileiras anti-imperialistas tentavam demonstrar acerca da guerra do Iraque (para não recuarmos mais que isso) e que os escribas pró-americanos negavam a pé juntos faz hoje a capa dos jornais, não como polémica, mas como normalidade.

A questão assume contornos ainda mais assustadores quando o secretário de estado do comércio francês Pierre Lelouche decide apaparicar algumas dezenas de grandes empresários franceses e levá-los numa visita de estudo (económico, claro) a uma Líbia em guerra. A função era, claro está, fazer com que estes partícipassem na “reconstrução” daquele país, curiosamente destruído em grande parte por forças militares que dependem do seu colega de governo do ministério da defesa. Curiosas lógicas. Mas num clima de austeridade como o que começa a ser imposto pelo governo francês, em que não podemos contratar professores e em que os operários terão de aceitar ser explorados por mais alguns bons anos antes de se poderem reformar, a questão levantada pelos meios de comunicação não se prende com a justeza da guerra, com o sofrimento do povo Líbio, nem tão pouco com as consequências que as medidas de austeridade terão sobre o povo francês, a questão que a imprensa francesa levantou prende-se com o enorme esforço financeiro que a intervenção “humanitária” na Líbia representou para o orçamento do estado francês. Face a este muy liberal questionamento o ministro francês da defesa Alain Juppé (este sim, carrasco de facto do povo Líbio) não esteve por menos e retorquiu: “A intervenção francesa na Líbia é um investimento no futuro”. As baixas civis, a bárbara intromissão num país alheio e a miséria de um povo são para o governo francês um investimento no futuro. . . Nada nos poderia ajudar a provar mais facilmente o carácter destrutivo do modo de produção capitalista. Em nome dos mais universais valores chacinam-se os mais concretos seres humanos. As mãos dos governantes capitalistas (portugueses incluídos) estão hoje como no passado manchadas do mais real sangue humano. A diferença é que hoje querem que aceitemos isso, querem poder mostrar-nos os cadáveres das suas presas nas primeiras páginas dos jornais, e que aceitemos os seus motivos, os seus “investimentos no futuro” como algo de razoável. A exploração capitalista está cada vez mais comprometida com a aniquilação da Humanidade.

 

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NOS 140 ANOS DA COMUNA DE PARIS

Publicado por qmiguel em 23/10/2011

No ano em que se comemora os 140 anos da comuna de paris não poderiamos passar sem deixar a nossa homenagem a este acontecimento maior da história da humanidade.

“Os princípios da comuna são eternos e não podem ser destruídos. Eles ressurgirão sempre de novo até que a classe operária se emancipe.” K.Marx

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MAIOTE A FERRO E FOGO

Publicado por qmiguel em 20/10/2011

Na ilha de Mayotte (território francês ao largo de Moçambique) a população local é vitima da mais vil especulação capitalista. As grandes superfícies comerciais inflacionam o preço dos mais basicos produtos alimentares atirando um povo inteiro para a mais negra fome e miséria. Os alimentos mais básicos num Carrefour, Casino, ou Intermarché da ilha podem chegar facilmente a 3 ou 4 vezes o preço do mesmo produto numa superfície da mesma empresa em Paris!.

Após sucessivas greves gerais, e votados à mais ignóbil ignorância por parte dos media e da classe política burguesa da “metrópole” (que tem “falhado” no seu papel de “mediador” entre grandes comerciantes e populações), o movimento entra hoje no seu 24º dia. O clima de guerra civil instala-se a pouco e pouco na ilha (barricadas, confrontos com as autoridades, retaliações…). Durante a noite a polícia e seguranças privados defendem os hipermercados da fúria de uma multidão esfomeada (tendo o governo francês  mobilizado ja parte do exército para a região). A economia da ilha encontra-se devastada pelas sucessivas políticas neo-liberais e anti-populares.

Sarkozy estará concentrado no seu mais jovem rebento, e o PS, mais preocupado com o acelerar das medidas de austeridade, lançou apenas um breve apelo à calma.

Entretanto o povo de Maiote passa fome e sai à rua…

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TEMPO DE LUTA E DE UNIDADE

Publicado por qmiguel em 17/10/2011

A CGTP-IN e a UGT começaram hoje a discutir a possibilidade de uma greve geral. Esta, a verificar-se, marcará o início da contra-ofensiva dos trabalhadores face à agressão bárbara contra as suas conquistas. Hoje mais que ontem “todos seremos poucos”, cabe a cada trabalhador, a cada cidadão não deixar a resposta por mãos alheias e fazer tudo aquilo que esteja ao seu alcance para que a sua vida e a do seu próximo não bascule para a mais negra das depressões. Não nos enganemos, a única resposta real à actual situação económica e ao ataque vil do capital só poderá vir dos trabalhadores eles mesmos, da sua determinação e da sua luta comum. É hora de começar a construir colectivamente um futuro diferente com a consciência de que à partida nada está ganho ou perdido e de que o novo capítulo de luta que começaremos a escrever em breve exigirá toda a nossa determinação e imaginação colectiva. Devemos tomar consciência de que, daqui em diante,  face à barabaridade com que nos defrontamos, a luta não deve conhecer limites.

 

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RELATOS DE UMA DEMOCRACIA PLURAL

Publicado por qmiguel em 16/10/2011

Vivendo faz já alguns anos na ilustre capital francesa, impôs-se-me como uma inevitabilidade prática adquirir um exemplar francês de algumas obras de Karl Marx (Sagrada Família, Ideologia Alemã entre outras) . Conhecendo a ofensiva ideológica corrente no mercado de edição (algo não exclusivo das terras gaulesas) não me ocorreu no entanto  que um autor como Marx pudesse também ser alvo de uma ostensiva hostilização editorial, como a minha experiência comprovou.

Parti então à procura, verificando primeiro nas livrarias mais centrais, depois então nas maiores e finalmente em qualquer livraria que encontrasse. A minha longa procura permitiu-me ter uma visão mais lúcida sobre a divulgação da obra de Karl Marx. Encontramos portanto (quando encontramos algo…) o Manifesto do Partido Comunista, alguns volumes do Capital, e as obras dedicadas especificamente à situação francesa (Guerra Civil em França, 18 Brumário….), assim como edições duvidosas (estilo brochuras) de recolhas de textos parciais, a que os editores muitas vezes dão títulos de gosto e tecnicidade duvidosas. Esta colheita impõe-se como regra livraria após livraria e mistura-se com uma quantidade de bibliografia secundária duvidosa (por vezes abundante), a título de exemplo, numa das maiores e mais concorridas livrarias do centro é possível encontrar uma edição em vários CDs\DVDs de um conjunto de lições sobre Marx da autoria de Luc Ferry (cujos dotes de especialista na questão são no mínimo duvidosos, isto sem querer entrar em processos de intenção) , uma edição do Capital em BD (…), mas nem sinal de qualquer obra do pensador alemão de cunho “mais” filosófico.

Finalmente aconselhei-me com quem conheçe realmente o meio editorial francês e se interessa por estes assuntos. Disseram-me que é difícil encontrar tais livros, mas lá me indicaram uma livraria especializada na questão (uma “sobrevivente”).  Chegado à tal livraria, e verificando que era realmente “especializada”, a resposta que obtive foi algo do género: “há anos que não o vejo” (em relação à Ideologia Alemã), e um “tive-o realmente há cerca de um ano, mas foi-se rapidamente” (em relação à Sagrada Família), entre outras desilusões. Quanto às prespectivas futuras da minha demanda, não me sossegou minimamente.

Creio que a descrito espelha bem  a tragicidade da situação do mercado editorial, que não creio ser pior em França do que em muitos dos países vizinhos. Creio ser preocupante a inexistência material de tais obras. Já me tinha apercebido da gravidade da situação quando procurei outros autores marxistas, ditos menores. O que sucede é uma absoluta e silênciosa ocultação de obras de tal cariz. Muitas vezes editoras outrora mais progressistas guardam os direitos de tradução de certos autores recusando-se a reeditá-los ou a deixar que se reedite. Passo aqui em puro testemunho o vivido de uma situação problemática e  de consequências provavelmente graves.

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