OLHE QUE NÃO

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O HOMEM SEM QUALIDADES

Publicado por J. Vasco em 01/06/2012

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TOTALIDADE E CONTRADIÇÃO

Publicado por J. Vasco em 01/06/2012

Imprescindível livro de José Barata-Moura sobre a dialéctica, saído há apenas dois meses. Trata-se da edição revista e aumentada da 1ª edição publicada em 1977.

Muito ao jeito de um idealismo subjectivo com sedimentado e longo curso, há quem reduza a dialéctica a um equipamento cognoscitivo de organização sofisticada do acontecer histórico e social. Uma concepção mais rica, mais concreta e mais dialéctica da própria dialéctica obriga no entanto a considerar o problema de um outro modo (materialista). Como nos mostra José Barata-Moura, a dialéctica é um processo real, um processo de compreensão e um processo de actuação. Sendo que não se trata aqui de compartimentos estanques que se relacionam externamente, mas de um totalidade concreta e contraditória que tem como condição e como campo de acolhimento a objectividade material.

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26 DE MAIO: CONSTRUIR UMA MURALHA DE AÇO CONTRA A TROIKA

Publicado por J. Vasco em 20/05/2012

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GLORIOSO SLB

Publicado por J. Vasco em 20/05/2012

«Em jogo realizado a 11 de Março de 1975 – uma data emblemática do período (…) revolucionário – entre o Benfica e a CUF, no Estádio da Luz, António Simões foi vaiado pelos adeptos, benfiquistas incluídos, durante toda a primeira parte. É que pouco tempo antes Simões integrou as listas do CDS pelo círculo eleitoral de Setúbal, como candidato independente à Assembleia Constituinte. Acabou por não ser eleito. Apesar da enorme popularidade de que o extremo-esquerdo gozava no Benfica, (…) o clima foi de tal forma hostil que o treinador da altura, Pavic, foi obrigado a substituí-lo ao intervalo».

Bíblia do Benfica, Luís Miguel Pereira, p. 216.

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38 ANOS DE SAUDADES

Publicado por J. Vasco em 22/04/2012

O Paulinho das feiras já lá vai. Junto com o paleio demagógico da «lavoura» e dos «reformados», e com a boina de lavrador. Estão bem guardados (quem sabe se ao pé das 60 mil fotocópias do Ministério da Defesa…), prontos para usar quando voltar a ser tempo de compor a personagem e cheirar a poleiro outra vez.

No último ano, a pose tem sido outra: a do chamado «homem de estado», de cenho carregado, falando baixinho e exibindo «prudência», «recato» e «responsabilidade». A «carreira» do político assim o exige. Os pacóvios do comentário dominado (e dominante) assim lhe recomendam. Mas principalmente assim lhe dizem para fazer os seus mandantes: os empresários que procuram «investir» lá fora.

Nestes dias, veio ao de cima o mais íntimo de Paulo Portas. Marioneta dos grandes interesses espoliadores do continente africano, falou de alto aos guineenses e lançou-lhes ameaças de invasão a coberto da «comunidade internacional». Paulo Portas move-se no processo neocolonial em curso como peixe na água. Os 38 anos de saudades do Portugal fascista aguçam-lhe o esmero.

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À ATENÇÃO DOS ESCROQUES, BANDALHOS, IGNÓBEIS E CANALHAS AÍ DE BAIXO

Publicado por J. Vasco em 22/04/2012

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A BURGUESIA, A CULTURA E A EDUCAÇÃO

Publicado por J. Vasco em 22/04/2012

Depois de um ano de trabalho voluntário na Es.col.a, ao longo do qual se pôs de pé e a funcionar uma miríade de actividades que o capitalismo sonega diariamente às populações, a fúria pidesca da burguesia laranja do Porto abateu-se sobre livros, computadores, quadros, brinquedos e trabalhos de crianças. Aniquilou o substrato e o produto da cultura e da educação que o próprio povo da Fontinha organizou e dinamizou.

Tudo o que não entra no circuito do valor; qualquer actividade ou relação social que não sirva para auto-valorizar o capital; cada espaço e momento que não estejam ao serviço da sucção de mais-valia - são impiedosamente perseguidos pela burguesia e pelos seus representantes políticos e reduzidos a pó.

No lugar da cultura e da educação (que os burguesotes confundem com «formação de elites»), do desporto, do convívio e da fruição de actividades lúdicas, ergam-se antes, de braços dados com a especulação imobiliária, centros comerciais. Por um lado, é preciso fazer face à super-produção e realizar o valor produzido; por outro, é absolutamente necessário atomizar as existências, incutir a mentalidade do «consumidor», matar à nascença qualquer veleidade de auto-organização colectiva dos explorados e das massas populares.

Para além do espírito fascista de Rui Rio e do PSD, no microcosmos da Fontinha manifestou-se principalmente a relação de ódio que a burguesia mantém com a cultura e com a educação. «Ou servem para me aumentar o lucro – ou eu saco da pistola e dou cabo de vós».

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LEMBRAI-VOS SEMPRE, Ó GENTES, DE QUEM É A FAMÍLIA DE RUI RIO

Publicado por J. Vasco em 21/04/2012

 

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DO FACTO DE SE PERTENCER AO PARTIDO DOS DOMINANTES

Publicado por J. Vasco em 17/04/2012

«A indiferença é um apoio tácito àquilo que é forte, àquilo que domina. (…).

O desinteresse político é saciedade política. O homem saciado tem uma atitude «desinteressada», «indiferente» em relação a um pedaço de pão; mas o faminto será sempre «partidário» na questão do pedaço de pão. O «desinteresse e indiferença» em relação ao pedaço de pão não significam que um homem não precise de pão mas que esse homem tem sempre o pão assegurado, que ele nunca teve falta de pão, que ele se acomodou firmemente no «partido» dos saciados. O sem partidarismo na sociedade burguesa é apenas a expressão hipócrita, encoberta, passiva, do facto de se pertencer ao partido dos saciados, ao partido dos dominantes, ao partido dos exploradores.»

Lénine, O Revolucionarismo Sem Partido, Obras Escolhidas Em Seis Tomos, 1, Edições Avante, p. 287

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ESCROQUES, BANDALHOS, IGNÓBEIS, CANALHAS

Publicado por J. Vasco em 17/04/2012

 

«Um grupo de músicos lançou, com o alto patrocínio de Cavaco Silva, o hino do Movimento Zero Desperdício. É um projecto que tem as medidas do Presidente da República e que se dedica a pedir a restaurantes, hotéis e supermercados – imagine-se – que dêem as sobras a quem precisa. Isto, que mais não é do que um hino à pobreza e que em momento algum questiona os responsáveis pela calamidade social em que vivemos, indigna qualquer pessoa de esquerda. Por isso, espero que os artistas que se deixaram vender à hipocrisia tenham os bolsos cheios. Todos temos de comer mas há quem prefira a dignidade ao dinheiro. Falo da Ana Bacalhau, Anabela, Anjos, António Pinto Basto, Adriana, Ana Sofia Varela, Armando Teixeira, Boss AC, Camané, Carlos Mendes, Chullage, Cristina Branco, Cuca Roseta, Fernando Cunha, Fernando Girão, Fernando Tordo, Gomo, Janita Salomé, João Pedro Pais, Jorge Palma, João Gil, Kátia Guerreiro, Lara Li, Lúcia Moniz, Luís Represas, Luísa Sobral, Manuel João Vieira, Mafalda Veiga, Miguel Gameiro, Miguel Pité, Nuno Norte, Olavo Bilac, Paula Teixeira, Paulo de Carvalho, Pedro Laginha, Pedro Puppe, Ricardo Quintas, Ricardo Ribeiro, Rita Guerra, Roberto Leal, Rui Veloso, Salvador Taborda, Sara Tavares, Sérgio Godinho, Susana Félix, Tiago Bettencourt, Tim, Tito Paris, Vitorino, Zé Manel».

Bruno Carvalho, via 5dias

PS: lembrança oportuníssima do António Vilarigues:

Ouçam esta música http://www.youtube.com/watch?v=ZHieMBabirY “Vamos brincar à caridadezinha” – José Barata Moura (gravação original de 1973) e vejam a diferença de forma e de conteúdo do artista. E na altura «cantigas» destas podiam dar direito a uns «safanões a tempo»…

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QUEM FEZ ISTO?

Publicado por J. Vasco em 27/03/2012

Vou fazer o papel de uma bêbada

Que vende os filhos

Em Paris, no tempo da Comuna.

Tenho apenas cinco réplicas.

E preciso de me deslocar, de subir a rua.

Caminharei como gente livre

Gente que só o álcool

Quis libertar e voltar-me-ei

Como o bêbado que receia

Ser perseguido. Voltar-me-ei

Para o público.

Analisei as minhas cinco réplicas como os documentos

Que se lavam com ácido para descobrir sob os caracteres visíveis

Outros possíveis caracteres. Pronunciarei cada réplica

Como a melhor acusação

Contra mim e contra todos os que me olham.

Se eu não reflectisse maquilhar-me-ia simplesmente

Como uma velha beberrona

Doente e decadente. Mas vou entrar em cena

Como uma bela mulher que guarda a marca da destruição

Na pálida pele outrora macia e agora cheia de rugas

Outrora atraente e agora repelida

Para que ao vê-la cada um se interrogue: quem

Fez isto?

Monólogo de uma actriz enquanto se maquilha,

Bertolt Brecht (1937-1940), in Poemas, trad. Arnaldo Saraiva,

Campo das Letras, pp. 104 e 105.

(No dia mundial do teatro)

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LONGE DA VISTA

Publicado por J. Vasco em 24/03/2012

 

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MUITO ANTES DE SUBIR AO CHIADO

Publicado por J. Vasco em 24/03/2012

Os principais meios de comunicação social, mesmo contra a sua vontade, não puderam deixar de difundir a repugnante carga policial fascista do Chiado. Mas esforçaram-se, do mesmo passo, por circunscrever o dia de greve geral (e a brutal repressão que sobre ele recaiu) à manada de robocops que investiu Chiado acima, atingindo tudo o que mexesse. A pequena burguesia intelectualizada suspirou, lamentou os acontecimentos e a seguir indignou-se. Afinal de contas, isto é uma perturbação da «democracia». É preciso corrigir os «excessos» e regressar à «ordem natural das coisas», a ordem que sobre nós reina: os trabalhadores que vendam a sua força de trabalho e os capitalistas que se apropriem da mais-valia sob a forma de lucro.

E no entanto, lá onde a exploração pulsa na sua face mais crua, lá onde o afrontamento entre exploradores e explorados se dá corpo a corpo, lá onde a coragem e a solidariedade não são palavras ocas mas forças sociais em acção, imperou no dia 22 de Março a violência mais brutal, mais impiedosa e não menos sistemática. Longe dos holofotes e fora da consideração da opinião «bem pensante», os piquetes de greve, de Norte a Sul do país, provaram mais uma vez o inconfundível sabor do estado de excepção.

As forças policiais actuaram na luta de classes como aquilo que são: um braço armado da burguesia. Violando a lei da greve, impediram que os piquetes contactassem os trabalhadores e carregaram sobre eles sempre que um amarelo decidia furar a greve. Em cada caso, actuaram abertamente segundo os interesses das administrações das empresas. (Cada trabalhador e sindicalista que integra um piquete de greve tem uma noção mil vezes mais nítida do carácter do Estado como aparelho de repressão de uma classe sobre outras do que o mais distinto dos professores universitários que enche centos de páginas com ficções acerca do Estado enquanto «organizador do bem comum»).

No piquete de greve da Vimeca, em Queluz de Baixo, um dos polícias, quando confrontado com a violação da lei a que estava a proceder, saiu-se com uma tirada que veríamos ser politicamente racionalizada pelo deputado fascista João Almeida, do CDS, na Assembleia da República: estava ali a proteger a «liberdade de quem queria trabalhar». Ao início da madrugada, um polícia da mesma força que actuou na Vimeca dirigiu-se a duas jovens do piquete de greve, para começo de conversa, prometendo-lhes umas bastonadas lá para o meio da noite. O mesmo polícia, em tom de ódio, disse que as pessoas que compunham o piquete não estavam a fazer mais do que «figurinhas». O ódio e a provocação sucediam-se. O oficial que dirigia as forças policiais fez-se acompanhar de um pingalim que brandia de cada vez que tartamudeava as orientações dos capatazes da administração da empresa. Os mesmos capatazes da administração, de resto, que tinham o seu piquete anti-greve montado à entrada das instalações e que o utilizavam como arma de condicionamento dos trabalhadores com o apoio da polícia.

A força policial, em conluio com os patrões da Vimeca, instalou-se no local muito antes da chegada do piquete, com o objectivo de impedir a sua formação. Transportaram grades para os portões e queriam colocar as pessoas atrás delas. A resistência do piquete travou esse objectivo. O cordão policial, finalmente, passou a noite a investir sobre o piquete de greve.

É este o regime em que vivemos. Foi assim, mais uma vez, de Norte a Sul.

Milhares de homens e mulheres lutam com coragem, determinação e inteligência. Não merecem as preocupações do filisteu «bem pensante» nem a atenção dos meios de comunicação, ainda que sejam eles quem mais sofre na pele a violência burguesa. Mas estão lá. Sempre. E dão a conhecer aos trabalhadores toda a sua força, quando se juntam e organizam. Dão corpo à luta mais bela de todas: a luta pela emancipação humana, pelo fim da exploração capitalista. Porque sabem que o fascismo é uma toupeira que sobe à superfície, enfrentam-no no local mesmo em que a essência do capitalismo se determina. Enfrentam-no, com todos os custos que isso acarreta, cá em baixo, muito antes de ele subir ao Chiado.

Central da Vimeca, Queluz de Baixo, 22 de Março de 2012

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NÃO DEIXES QUE TE PAPEM. LUTA

Publicado por J. Vasco em 21/03/2012

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PARA ALÉM DO MEDO

Publicado por J. Vasco em 21/03/2012

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FAZER FRENTE

Publicado por J. Vasco em 21/03/2012

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LÁ, ONDE O SANGUE FECUNDOU A TERRA

Publicado por J. Vasco em 21/02/2012

Há 79 anos, no dia 2 de Fevereiro, a batalha de Stalinegrado terminava com a vitória das tropas soviéticas. Foi o princípio do fim do nazi-fascismo.

CARTA A STALINGRADO

“Stalingrado…

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!

O mundo não acabou, pois que entre as ruínas

outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,

e o hálito selvagem da liberdade

dilata os seus peitos, Stalingrado,

seus peitos que estalam e caem,

enquanto outros, vingadores, se elevam.

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O MUNDO GRANDE DE RUI BAPTISTA

Publicado por J. Vasco em 21/02/2012

Rui Baptista, assessor de comunicação do governo PSD/CDS, anda, com certeza, desocupado. Talvez dispensado pelo chefe, por estes dias, das funções de propagandista de turno (parece que o gozo do período de Carnaval é uma cena que, afinal, lhe assiste), dedica o tempo livre a vasculhar na rede o que dizem sobre ele. E eis que o «profissional de comunicação» à la João Duque, e com ele o governo, chegam ao Olhe Que Não.

Pela amostra, não terá apreciado muito ler as verdades que sobre ele aqui se disseram. E vai daí não teve melhor coisa para dizer do que esta: que eu vivo num «pequeno mundo». Não deixa de ser estranho que alguém que se considera acima do meu mundo, venha com insistência visitá-lo. E que, quem sabe?, o frequente com concupiscência.

O que interessa, porém, é outra coisa. O governo começa a sentir-se acossado, sabe que o protesto vai crescer. A luta contra o neoliberalismo vai ampliar-se e fortalecer-se. A burguesia e os seus representantes políticos não vão ter descanso. Por mais propaganda e «estratégias de comunicação» que arranjem. Por muito que intensifiquem o controlo, a ameaça e a repressão.

O mundo grande de Rui Baptista está bem ciente do que aí vem. A festa acabou. É isso que o deixa furioso.

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EDUARDO CHITAS – IN MEMORIAM

Publicado por J. Vasco em 20/02/2012

Boulevard Romain Rolland, Montrouge, Paris

No próximo dia 17 de Março fará um ano que o nosso amigo e camarada Eduardo Chitas nos deixou.

Gostava de partilhar uma sua faceta menos conhecida, mas em relação à qual ele sentia gosto e orgulho. O Eduardo, como muitos outros da sua geração (recorde-se que ele nasceu em 1937), foi fortemente influenciado, na adolescência e depois na juventude, pela figura e pela obra de Romain Rolland. A leitura de um livro como Jean-Christophe, escrito entre 1904 e 1912, acompanhou-o, nos fascículos por que a obra ia sendo publicada, dos tempos do Alentejo até Coimbra, para onde se deslocou em 1957 a fim de cursar Filosofia na Faculdade de Letras.

O jovem leitor, personalidade em formação, sentia uma intensa necessidade de exprimir a admiração que nutria por Romain Rolland. Decide então escrever à viúva do autor da expressão «compagnons de route». Maria Kudasheva, velha bolchevique de origem aristocrática, figura mítica, participante directa na revolução de Outubro, dirige à época a Association Romain Rolland, espalhada por vários países da Europa embora sediada na Suíça, e responde ao Eduardo na volta do correio. Agradece-lhe as palavras e envia-lhe alguns artigos do marido.

Chega o ano de 1961. O Eduardo, recusando participar na guerra colonial, deixa Coimbra e a Faculdade de Letras e ruma até à Suíça. Estabelece-se em Genève, onde, no ano de 1963, termina a licenciatura em Filosofia e começa a dar aulas no liceu. Entretanto, terá oportunidade de calcorrear o país seguindo os percursos e as paragens de Hegel cerca de 150 anos antes. Ao que parece, o filósofo alemão não se sentiu especialmente entusiasmado com as abundantes paisagens naturais da Suíça. Talvez porque faleça à Natureza, no marco da sua doutrina, uma consciência que a si mesma se pense: ela é apenas em si, não chega nunca a ser para si. Em contrapartida, Hegel interessou-se vivamente pelas condições de vida dos camponeses, quis informar-se sobre elas, estudá-las, entabular relacionamentos.

Sobretudo, o Eduardo teve então hipótese de conhecer pessoalmente Maria Kudasheva, de privar com ela e de tornar-se o responsável na Suíça pela Association Romain Rolland. Tarefa que desempenhou com gosto até ao seu regresso a Portugal, na sequência do 25 de Abril.

O melhor de tudo, para mim, era beber aquele vinho de Cabeção, às terças-feiras à tarde, e ouvir o Eduardo contar estas histórias, dando pormenores vivos, fornecendo cores, cheiros e sons, vasculhando em papéis e depois mostrando-os. Sempre com alegria de viver. Sempre concitando o interesse e a cumplicidade do parceiro de conversa. Como se o Eduardo se espraiasse por um qualquer Boulevard Romain Rolland.

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ESPELHO MEU

Publicado por J. Vasco em 19/02/2012

Chama-se Rui Baptista. No post anterior podem vê-lo no staff do Coelho: é o seu assessor de imprensa.

Lembram-se dele? Jornalista do Público e ultimamente da RTP. Era daqueles que lá estão todos os dias (nas rádios, nas televisões, nos jornais), disfarçados de «comentadores» («isentos», «neutros», «imparciais», como eles adoram dizer), a garantir, a jurar e a trejurar ao povo que não tem outra saída que não seja consentir ser explorado e humilhado. Não houve uma mudança substancial no seu serviço, para falar claramente. As direcções dos grandes órgãos de comunicação, os conselhos de administração dos grandes grupos financeiros e as direcções do PS, PSD e CDS são partes do mesmo todo. Pode dizer-se, isso sim, que Rui Baptista apenas mudou de posto. A tentativa de comprar as almas e as consciências dos trabalhadores continua por outros meios.

Quando perceber, em todo o caso, que a sua missão está votada ao fracasso e se olhar a seguir ao espelho, o que verá então Rui Baptista?

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O FMI NÃO MANDA AQUI

Publicado por J. Vasco em 19/02/2012

Passos Coelho em Gouveia - NUNO ANDRE FERREIRA/LUSA

O betinho do Coelho, paladino da extorsão da mais-valia, apostado em infernizar a vida de milhões de trabalhadores para garantir o sagrado lucro do patronato, foi recebido com vaias em Gouveia, que volta às suas fortes tradições de luta dos anos 30 e 40 do século passado. «O FMI não manda aqui», gritaram os manifestantes, compostos por trabalhadores e sindicalistas da Citroën de Mangualde, membros das comissões de utentes contra o pagamento das portagens e massas populares atingidas pelas políticas neoliberais.

É preciso receber esta gente desta forma, onde quer que vá. Não lhes dar um minuto de descanso, sequer. É preciso fortalecer os protestos e ampliá-los. A luta vai continuar e vai crescer.

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UM SÁBIO JURISTA DA CONTRA-REVOLUÇÃO

Publicado por J. Vasco em 19/02/2012

«Freitas do Amaral faz uma confissão esclarecedora: que, na hora H [do golpe spinolista de 28 de Setembro de 1974], foi ele quem redigiu o projecto de declaração de estado de sítio no distrito de Lisboa, tal como, na preparação do golpe Palma Carlos, fora ele com Veiga Simão quem elaborara o projecto de «Programa do Governo Provisório», que deveria ser imposto por Spínola ao novo Governo Provisório a formar após a vitória do golpe.

«Uma vez mais, no 28 de Setembro, Spínola teve em Freitas do Amaral qualificado e dedicado colaborador.

«Vejam-se estes sábios juristas da contra-revolução. A sabedoria com que invocam «o direito» e a «lei» para justificar a ilegalidade e o abuso do poder.

«Confissão feita. Registe-se.».

Álvaro Cunhal, A verdade e a mentira na revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se), p. 163.

É preciso ter memória. De delfim de Marcelo Caetano a sábio jurista da contra-revolução, Freitas do Amaral outra coisa não fez da sua vida que dar expressão político-institucional aos interesses do grande capital português. Conspirou com Sá-Carneiro, Soares e Spínola, disputou a organização do partido fascista com o PPD nos dias seguintes à revolução, sonhou com a ilegalização do PCP e da CGTP até 1986, quando concorreu às eleições presidenciais com uma base de apoio saudosa do 24 de Abril. Hoje, institucionalizada a contra-revolução, passeia-se pelos seus três partidos e procura uma coordenação ideológica para eles. Que é o mesmo que dizer: serve os mesmos interesses em condições históricas novas.

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MITOS

Publicado por J. Vasco em 19/02/2012

Os ideólogos do regime, em Portugal, precisam de quase nada para serem considerados «grandes pensadores», «analistas profundos», «académicos de alto rigor intelectual e honestidade profissional a toda a prova».

Freitas do Amaral, com insistência doentia, é tratado pela imprensa dominada por «senador».  Os aristocráticos sonhos molhados desta gente são acompanhados de titânicos esforços para construir uma imagem santa, beata e intocável de um dos mais destacados e tenazes representantes políticos da burguesia portuguesa. Interessa pouco o que Freitas do Amaral diz. Se ele diz, cancele-se o espírito crítico: ainda que em presença da maior banalidade do mundo, estamos, na verdade, é perante algo de inequivocamente «profundo», «sério» e «rigoroso». Mais do que discutir o teor das suas concepções e afirmações; mais do que confrontá-las com as contradições sociais em que se inscrevem; mais do que, no fundo, fazer uso da capacidade crítica – interessa sim, a propósito de tudo e de nada, dizer que ele tem dezenas de livros publicados, afirmar com convicção que o homem já leu tudo, e jurar a pés juntos que «o senador» estuda que se farta. Freitas do Amaral boceja – e aí está uma demonstração de rigor; pestaneja – e eis que a sua profundidade de análise se exibe; abana a cabeça – e vejam bem como se expressam nesse movimento as aturadas horas de leitura do professor emérito.

O fundador do CDS, no entanto, é perverso. Com pezinhos de lã, e singelamente, fez mais pela destruição eloquente do seu próprio mito do que mil tentativas (sempre abafadas) de demonstração de que o rei vai nu.

O seu recente «História do Pensamento Político Ocidental» é tomo de peso: 774 páginas, 1 kg e 100 g. Abrimos a página 461, na qual se vai falar de Lénine, e deparamo-nos com a informação de que uma das suas obras principais é «O Estado e a Revolução (ou As teses de Abril)» (sic!). Siderados? Claro! Mas deixamos passar o espanto, enchemo-nos de boa vontade, e pensamos: talvez tenha havido gralha… Continuamos. Passamos para a página 462, e o mesmo erro é reiterado por duas vezes ao correr da pena.

Resumindo. Para Freitas do Amaral, os textos de Lénine «Teses de Abril» (e não: As Teses de Abril, como escreve) e «O Estado e a Revolução» são uma e a mesma coisa. Ora, como qualquer pessoa com um mínimo de leituras sabe, as famosas «Teses de Abril» estão contidas num artigo de Lénine intitulado «Sobre as Tarefas do Proletariado na Presente Revolução». Foram escritas no comboio em que Lénine regressou a Petrogrado, lidas em duas reuniões de bolcheviques realizadas em Abril de 1917 e também nesse mês publicadas no Pravda. «O Estado e a Revolução», por sua vez,  é uma obra teórica de fundo, com outro fôlego e outra respiração, escrita em Agosto-Setembro de 1917 na clandestinidade e publicada em Novembro de 1917.

Note-se que nem sequer entrámos aqui numa avaliação do conteúdo e da estrutura da obra do «senador». Destacámos tão-somente aquilo que caracteriza, em termos minímos, a probidade e a honestidade de um autor: conhecer bem os textos daqueles que pretende criticar. Esse mínimo, manifestamente, não se verifica em Freitas do Amaral. O ataque às posições políticas dos seus adversários de classe é feito sem qualquer rigor científico e sem nenhuma preocupação de honestidade. O sistema não exige dele mais do que isso. Não é um grande mérito, apesar de tudo, para quem se intitula «pensador».

O rei continua, portanto, a andar em pêlo. Não nos alvorocemos, porém. Tudo está bem como está. O «senador» vai ser louvado pelo «rigor», pelo «desinteresse» e pela «profundidade». As suas louvaminhices ao capitalismo vão ser tidas como mostra de  flagrantes rasgos de genialidade. O livro, por fim, vai decerto integrar a lista de leituras obrigatórias dos cursos de Ciência Política, senão mesmo transformar-se na sebenta de muitas das cadeiras que os integram.

Se, inadvertidamente, o delfim de Marcelo Caetano derrubou o seu próprio mito, os cães de guarda do regime, denodadamente, tratarão de encetar a sua nova edificação.

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TERREIRO DO PAÇO, TERREIRO DO POVO (II)

Publicado por J. Vasco em 10/02/2012

É JÁ AMANHÃ: MANIFESTAÇÃO NACIONAL, 15H, NO TERREIRO DO POVO

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O ESTATUTO DO IDEAL

Publicado por J. Vasco em 09/02/2012

Já aqui, várias vezes, dissemos: a filosofia soviética é uma mina de preciosidades à espera de um trabalho de pesquisa sério, paciente e sistemático. Por aqui vamos apenas dando conta, sem regularidade, de algumas pérolas que nos surgem pelo caminho.

É claro que a boçalidade reinante apresenta a produção filosófica soviética, mesmo sem com ela ter o mais pálido contacto, como escalracho a clamar por remoção preventiva. E a seguir oferece dela um quadro pálido, cinzento, monocolor. A diversidade é, porém, a verdadeira marca de água dos autores soviéticos. Diversidade que assume algumas vezes os contornos da oposição e da contradição – e isto se nos reportarmos somente ao campo do marxismo, que é o que aqui nos interessa.

Confrontar a obra de David Dubrovsky com a de Evald Ilyenkov é deveras estimulante. Detêm-se ambos sobre o estatuto do ideal, mas a partir de posições bem distintas. Ilyenkov vê o ideal como algo que extravasa o conteúdo subjectivo da consciência, posição que, no quadro do seu pensamento, pretende evitar uma limitação kantiana. Ilyenkov considera que a realidade humano-social é a razão realizada, objectivada, e portanto o ideal tem uma feição objectiva. Dubrovsky, não negando a estrutura social, inter-subjectiva, do ideal (bem pelo contrário), considera-o no entanto, essencialmente, uma realidade interna, subjectiva, considera-o enquanto reflexo mental de múltiplas determinações da realidade e do organismo humano.

Há quem considere tudo isto desinteressante, demasiado árido, longe dos problemas mais candentes. No entanto, talvez não seja totalmente descabido tomar em mãos uma análise mais cuidada destes problemas. Por um lado, para dar conta das raízes sociais, complexamente mediadas, que se expressavam nestas diferentes posições filosóficas. Por outro lado, porque a partir delas, como num leque que se abre, surgem temas tão fundamentais como, por exemplo, a teoria do reflexo, o estatuto do valor, ou o fundamento da transformação social e política.

 

Aceder aqui a The Problem of the Ideal

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TERREIRO DO PAÇO, TERREIRO DO POVO

Publicado por J. Vasco em 08/02/2012

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XII CONGRESSO DA CGTP

Publicado por J. Vasco em 27/01/2012

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(Clicar na imagem para acompanhar os trabalhos do congresso em directo)

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OS NOSSOS CAMARADAS DE LUTA NÃO MERECEM TAL AFRONTA

Publicado por J. Vasco em 22/12/2011

 

 «Ex.mo Senhor

Reitor da Universidade do Mindelo

 

Antes do motivo que me obriga a dirigir-me a V. Ex.ª, permita-me uma breve apresentação: licenciei-me pela Universidade do Porto e como muitos universitários de minha geração, dedicámos muito da nossa juventude à luta clandestina contra a ditadura fascista instaurada durante quase cinco décadas e pela libertação do povo português e dos povos das colónias, que nesses anos 60 já tinham pegado em armas.

Militante pelo ideário da independência das chamadas províncias ultramarinas, e vítima também da guerra colonial, como muitos portugueses (o meu marido, oficial do quadro permanente, a cumprir a 3ª comissão em África), fui professora no liceu do Mindelo no ano lectivo de 1972-73.

Recordarei sempre o que para mim foi de gratificante esse ano lectivo, o que dei e recebi desses jovens do Mindelo, uma experiência que ao longo dos anos tive provas não ter sido esquecida.

Recordarei sempre aquele dia de Janeiro de 1973 em que todos, professora e alunos, nos recolhemos em homenagem a Amílcar Cabral assassinado, dia em que, em respeito pela consternação geral e, arriscando como o fizera sempre a repressão da polícia política, decidi não dar aula.

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LUMINOSA

Publicado por J. Vasco em 23/11/2011

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A FORÇA DA GREVE GERAL

Publicado por J. Vasco em 23/11/2011

 

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